O segundo turno das eleições presidenciais, neste domingo (25), coloca frente a frente Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) — e também duas visões distintas sobre como enfrentar a violência contra crianças e adolescentes no Brasil.
Levantamento do UNICEF sobre os planos de governo dos cinco principais presidenciáveis, com base no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, mostra que o país registrou 2.079 mortes violentas de crianças e adolescentes em 2025 — quase 6 por dia, a maioria meninos negros. Os registros de maus-tratos contra crianças somaram 38.986 casos em 2025, alta de 14,6% sobre 2024 e de 106,1% sobre 2021. Também foram contabilizados cerca de 61 mil estupros e estupros de vulnerável, a maioria cometidos em casa por alguém conhecido da vítima.

Segundo a análise, o plano de governo de Lula tem 37 menções ao tema, com foco em prevenção — violência sexual, riscos digitais e violência doméstica. Já o plano de Flávio Bolsonaro soma 28 menções, concentradas em punição e resposta, incluindo a proposta de redução da maioridade penal — hoje fixada em 18 anos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990) e pela Constituição, o que exigiria uma Emenda Constitucional para mudar.
O UNICEF classifica a redução da maioridade penal como medida sem comprovação de eficácia e defende a criação de uma Política Nacional de Prevenção à Violência contra Adolescentes, que una educação, trabalho, assistência social e segurança pública — hoje, a maioria dos planos de governo trata o tema isoladamente, dentro da pasta de segurança.

Independentemente do resultado de domingo, a cobrança por um compromisso público e mensurável com a proteção da infância tende a seguir no radar de entidades como o UNICEF e de associações como a ASFIA, que acompanham de perto a aplicação dessas políticas no dia a dia dos serviços públicos.